30 novembro, 2007
noc
toda a poesia não vale um beijotoda a poesia não vale um beijo toda a poesia não vale um beijo toda a poesia não vale um beijo toda a poesia não vale um beijoa poesia não vale um beijonão vale um beijovale um beijoum beijo
toda a poesia não vale um beijotoda a poesia não vale um beijo toda a poesia não vale um beijo toda a poesia não vale um beijo toda a poesia não vale um beijoa poesia não vale um beijonão vale um beijovale um beijoum beijo
fotoNachOhen
29 novembro, 2007
14ª diária

28 novembro, 2007
CÂNONE DE POLICLETO
Apesar de uma nuca insidiosa, digamos
a curva, o pescoço
a cabeça
na proporção exacta
insisto,
os deuses provavelmente não adoptavam esta representação
pois ele tinha as unhas mal tratadas
e o andar um pouco vulgar
um desacerto
e,
como pela falha obscena
da distância
pôde a pura presença
tocar (erros meus) o sem nome do amor desejante.
22.11.07
27 novembro, 2007
mário cesariny
a hora que a morte me veste bonito neste fraque negro
(finalmente belo apareço translúcido)
não consigo pedir nem mais um momento
um olho segundos mais aberto
inicio de sentir medo em chegar tarde à festa
ao jantar
onde de certeza os apóstolos onde o mestre com certezas
onde tú e a impossibilidade eterna de viver agora tudo o que finalmente sei nos faria feliz
casadaconchada.coimbra.27denovembrode2006
13ª diária

1ª véspera

24 novembro, 2007

...que bate as imperceptíveis asas tão depressa
e
cegamente
busca a sombra no acaso
no destravado fascínio do acaso...
22 novembro, 2007
12ª diária

21 novembro, 2007
11ª diária
20 novembro, 2007
10ª diária

hoje de manhã
acordei
olhei pela janela
um lençol de orvalho
aquecia o meu pátio
aconchegava as plantas
sussurrava-lhes
canções de embalar
.
ao longe sirenes
buzinas
.
o pátio ficou descoberto
com os pés de fora
o lençol estendido
jazia
.
e as canções de embalar
marcavam-se pelo compasso
das gotas sim gotas não
que caíam do cano
transbordado.
17 novembro, 2007
16 novembro, 2007
9ª diária

15 novembro, 2007
8ª diária

diária (7)
"uma casa mal assente em chão que pode ser água; ou faltando um tijolo, o pilar ser oco, sustentar uma força que não é; um barco emendado no furo inquieta (até que o olhar se distraia de novo pela margem); emendado também na rota; pode ser um engano; engano feliz; pode ser tragédia; o saxofone que caíu (amolgando-se) jamais afinou o fá; o passado inacabado pode terminar com alguém: amarrando-se-lhe como um fantasma ao abrir da porta; ao virar da esquina; ao atender o anónimo número de telefone; passaria todos os dias a fazer música; falar complica; falar desentende-se; não preciso mais do que os meus lábios, o meu sopro, os meus dedos, a mesma cadeira que há muito sinto partida e onde inseguro me sento para tocar; falar dá muito trabalho; oferecer uma melodia à que me entoasses se me visitaras; torne-à-la; podemos fazê-lo a partir de uns duetos antigos que encontrei anotados nestas pautas; ou podemos improvisar; as duas linhas em dança aérea como cobras; como ondulações; mãos que se comam com aflição; posso oferecer um chá; fui sempre verdadeiro enquando tocava; verdadeiro e puro; genuíno e gratuito; foste de uma beleza que jamais percebi; fazemos música a tarde toda; posso oferecer um chá"
eugénio alves da cruz. lisboa. 14 de novembro de 1978
14 novembro, 2007
nunca gostei de escrever diários / sempre tive o diário na minha cabeça, a rodar como uma película / a película ainda roda, como se o cinema ainda estivesse aberto ao público.
13 novembro, 2007
LEARN TO LOOSE
1.
Os sulcos, quando nas superfícies
líquidas,
são efémeros.
O espelho (achas?) refaz-se,
mas se algum mistral,
não,
nem o mar arável
(quando o amor…)
2.
As superfícies feridas imobilizam-se e
nas ruas devassadas
agitam-se
os céus sem anjos
(um mínimo de esperança).
3.
Alguém que me ouça,
(pode haver)
tão longe de Duíno?
Etiquetas: andre martus, escultura
12 novembro, 2007
11 novembro, 2007
08 novembro, 2007
06 novembro, 2007
diária (6)

(e vão tantos anos
e eu nisto
repito-me repito-me repito-me
como um poema de merda longo demasiado longo
o filho da puta do escritor que anotou que estamos sempre a escrever o mesmo
mas de modo diverso
repito-me
tantos anos e ainda aqui
ainda na mesma pergunta
ainda no mesmo erro como um poema de merda enorme
eu que tenho dúvidas e no interior de um poema de merda longo
preso num poema de merda longo
para que sirvo)"
eugénio alves da cruz. porto - portugal. 5 de novembro de 1980
04 novembro, 2007
03 novembro, 2007
02 novembro, 2007
diária (5)
